Lusco Ofusco

Vejo o céu escurecer. O temor de tantos que gera tocha, gera tigre, gera elétrica. Gera?

Gerar, ser gestado em ventres da noite nos trás o olhar de linces. Belos gatos da noite que espreitam. O medo é de quem desconhece. De quem não vê. De quem não entende. Hoje empunhei a lua nas mãos e lembrei porque brigamos tanto com a gramática. Brigamos. Nem sempre percebemos, mas brigamos pelo o que nós é negado. Nêgo! Nego! Sem pressa.

Os grilhões de Bulbul que rompem ante a câmera e estilhaçam sem som, mas é Coltrane. 

É o deslizar do sopro negro da noite do Norte.

 É o Caxambú que ressoa dia à frente, a procissão. A santa negra pra quem nem crê que ser santo é ser bom. Quem é que vai ser acalanto agora?

Luedji, Knwloes, Silva. A vida que vem transatlântica e viaja pela imensidão da nossa história que não tem nome e nem conta. 

Mas tem prata, ouro e fatura, mesmo no pouco. O simples não é feliz. O simples é cajado firme como âncora que mudou rotas de tubarões e não deixa fresta. Deixa rastro. 

Sejamos nós, menos sangue e mais nós.

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